quarta-feira, 19 de dezembro de 2018


Imagem relacionada

Conto de Fadas? Nem pensar!


Eu tinha 17 anos, ele tinha 21.  Duas crianças cheias de sonhos e planos que se encontram pessoalmente depois de anos de trocas de cartas entre "amigos".  Uma cumplicidade com cara de amor eterno, mas que vivia limitada pelo medo e incertezas próprias da mocidade.
Depois de 4 anos de amizade feita de tinta, papel e coração, os dois decidem que é preciso levar o relacionamento para um nível mais sério.  Eu, indo para São Paulo iniciar a faculdade e ele para Formoso das Trombas - TO começando seu pastorado.

Namoro à distância não dá certo!  Ouvimos muito essa frase e vivemos para contrariá-la.

Começamos a namorar no dia 08 de Dezembro de 1980 e cada um rumou para uma distância de 1.350 Km e quase 22 horas um do outro.

Estamos juntos desde então, na verdade , desde 1977, Deus colou nossas almas... há muito tempo...

Muitos perguntam:  Por que deu certo?  E hoje, pensando no nível de comprometimento dos casamentos, eu preciso dizer que, na verdade, só deu certo, por alguns elementos básicos em qualquer relacionamento.

Havia uma paixão que desejava tornar-se amor.  É, eu sei que parece estranho, mas é isso.  Não havia dúvidas que tínhamos uma química incrível.  Era delicioso encontrar, conversar e sentir o corpo tremer quando os dedinhos mindinhos se tocavam sem querer...  Mas sabíamos que paixão e química precisam de toque, de pele, de olho no olho, e não teríamos isso.  Então, mesmo sem nomear como faço agora, decidimos que queríamos levar essa química para uma reação mais permanente, chamada COMPROMISSO!

Sabíamos que passaríamos muito tempo longe e a comunicação, ao contrário de hoje seria por carta( 2 a 5 dias para chegar ao destino) e pelo "molecular"( Uma central telefônica de onde um "moleque" corria para chamar o Samuel para atender a ligação).  Tudo parecia contribuir para o fracasso, mas fizemos um compromisso muito sério e pesado :  - Nós estamos nisso para casar, não vale a pena ficar namorando à distância para dizer que temos alguém.

Nos comprometemos em dizer a verdade, fosse ela boa ou ruim.  E colocamos nosso compromisso nas mãos de Deus.  É incrível como Deus tem uma queda por relacionamentos... 

Foram dois anos e meio de poucos encontros, enxurradas de cartas que eram lidas bem devagar para não acabarem logo e escritas praticamente todos os dias e sem esperar pela resposta.  Alguns dias, escrevíamos de 5 a 8 cartas um para o outro.  E a química foi dando lugar ao pacto, ao compromisso, ao desejo de estar junto para sempre.

Cada carta, cada conversa ao telefone e os raros encontros pessoais foram tecendo uma história que nunca acabou até hoje.

É incrível como choramos de emoção por contos de fadas e nem percebemos que os melhores contos de todos são os Contos de Deus.  Por que Deus não leva a gente só até ao "viveram felizes para sempre", que é o ponto onde os contos e muita gente para de ser feliz.  Deus vai além e nos ensina o preço do "para sempre" que é difícil demais porque tudo o que é bom dá muito trabalho!

Nesses tempo de namoro à distância vivemos crises de dúvidas, fomos balançados pela ameaça presencial de outros prováveis amores, por pessoas que "torciam contra", por crises de "abstinência" um do outro...

O conto de Deus é feito de tantos detalhes bons e ruins, de tantos pedaços de vida e coração que parece uma colcha de retalhos sem nexo, mas que faz todo o sentido à medida que se vive.

Olhar para trás me faz sorrir ao lembrar da timidez do primeiro beijo, da delícia de se reconhecer o outro na multidão das rodoviárias, dos abraços que queriam compensar a ausência e prover calor até ao próximo encontro... Ah!  Se eu pudesse passar adiante esse senso de compromisso tão essencial à qualquer relação... Se eu pudesse chacoalhar essa geração que joga a toalha no primeiro problema, que busca a própria felicidade e que acha que vai mesmo saber escolher sozinho com quem passar a vida.  

Sabe, Jesus não apenas resolve a morte e dá a vida eterna a quem se entrega a Ele.  Ele vai com a gente, ele ajuda a fazer escolhas inteligentes e não tem coisa mais burra do que um ser humano apaixonado!  Jesus resolve nossa burrice e faz a gente escolher não o príncipe e a princesa, mas quem vai ser usado por Ele para nos moldar.  

Ah! Samuel e eu já passamos muita raiva um com o outro!  Muita dor, muito ressentimento e necessidade de perdão e recomeço. E ainda passamos.  Mas já vivenciamos muito amor, perdão, risadas, alegrias, paz, cumplicidade e tudo mais que Deus planejou que significasse 'FELIZES PARA SEMPRE".

Eu sou feliz para sempre todo dia... e isso custa suor e lágrimas muitas vezes, joelho no chão, DRs , e tudo o mais que não se vê em nenhum final de novela.

Deus não faz novela, Deus nos leva pela vida para que experimentemos dEle nela e para que quem anda com a gente possa ter vontade de provar dEle também.

Então pare de perder tempo em querer ser feliz.  Pare tudo e se entregue para Deus e diga:  Senhor Jesus, escreve sua história em nós!  E prepare-se, a carruagem é supersônica! 



quinta-feira, 7 de junho de 2018




Marcando o Caminho
Provérbios 22.28


“Não removas os marcos antigos que puseram vossos pais.”

Esta recomendação para os filhos traz aos pais uma enorme responsabilidade! 


Provérbios deixa claro a nossa missão como pais: - temos que marcar o caminho para os filhos.

Gosto muito de pescar e, muitas vezes, as pescarias ficam em lugares de mata fechada onde precisamos abrir a trilha com facão.  Uma vez que a trilha foi aberta, não há como errar o caminho para o rio.  

O mesmo se dá com essa responsabilidade de marcarmos o caminho para os nossos filhos.  Existem procedimentos muito importantes para que possamos realmente deixar claro a melhor  trilha a seguir, mas há algo essencial nessa missão paterna:


- Precisamos andar no caminho a ser marcado.  Muitos pais exigem dos filhos uma forma de ser que eles mesmos nunca experimentaram.  

É o velho faça o que eu mando, mas não faça o que eu faço!  A coerência entre palavras e ações é crucial nessa jornada de marcar o caminho para os filhos;

- Precisamos experimentar a vida com Deus. Filho de crente não é crentinho!  Óbvio! Mas filho de gente que se diz crente, mas não vive a vida como quem nasceu de novo em Cristo, dificilmente serão convencidos que Deus “funciona”.  

Nossos filhos têm um radar para perceber nossas intenções e emoções que não condizem com nossas ações.  Não adianta discurso teologicamente correto, filhos são marcados pelo que leem em nós mais do que por nossas palavras. 

Enquanto nossos filhos andam conosco, eles precisam vivenciar nosso amor e relação com Deus.  Se for assim, eles poderão até decidir andar em outra direção, mas saberão que o melhor caminho é o que deixamos marcado. Somos chamados por Deus para sermos pontos de referência para a próxima geração.

Pense e viva Deus a sério todos os dias! 

                        
O melhor legado são suas marcas e pegadas pelo caminho do SENHOR.

sexta-feira, 6 de abril de 2018

Feto incompatível com a vida, será?





Alice viveu fora do útero pouco mais que um dia!  O diagnóstico era-lhe desfavorável desde o início. Um útero mais seco do que o normal era um mau sinal, mas ela aguentou firme.   Rins deficitários e ela guerreou pela sua própria vida.  

Cresceu, foi formada, tamanho e peso normais, um absurdo em tese para um feto espremido e sem condições  de vida.

A cada exame pré-natal havia uma notícia surpreendente.  Alice resistia até que uma ordem superior dissesse o contrário.

E os pais, “do lado de fora”, oravam, choravam, clamavam, sonhavam o impossível.  Assustavam-se com as novidades dos exames, ousavam crer, temiam, tremiam, duvidavam, criam.  Viviam a montanha russa de qualquer ser humano que admite sua limitação e fé frágil.  Mas resolveram esperar, como Alice, pela segunda ordem!

Então, chega a hora de Alice enfrentar o mundo hostil aqui fora.  Nasceu linda, enorme e a gente acreditou na vida.  Torcemos, oramos!  Admirei o pai, Leonardo, que fez planos, comprou enxoval, não deixou só espaço para os diagnósticos e prognósticos.  Olhou para sua filhinha como quem tem toda a vida ali, frágil e fora de seu controle.  Segundos, era tudo o que tinha!  Ligada a aparelhos, a incompatibilidade com a vida estreitou as possibilidades e os laços de amor. 

Mas ele sonhou, e amou sua filhinha com tanta sofreguidão como quem quer viver a vida toda em um abraço, em uma oração, em declarações de amor profundas.  Tomou a filhinha nos braços, frágil, indo-se, mas realizou seus sonhos ali: a abraçou, conversou com ela, tocou seu corpinho frágil, orou com ela e por ela, agradeceu a Deus  em meio a dor e despedida.

Ele a teve o tempo todo, a teve por toda a sua curta vida.  Algumas horas apenas!  Que pais podem dizer isso?  Que tiveram seus filhos debaixo de amor e oração sua vida toda?

Aprendi muito com essa jornada dolorosa de Leo e Elisa.  A compatibilidade com a vida para a Alice foi tão curta, mas ela experimentou milagres ainda no útero, vivenciou amor em forma de orações, sonhos e planos.   Um infinito de tudo enquanto sua vida durou!

E você se foi, Alice.  Mas sua vida tão curta, causou impacto  em mim!  Me fez crer que a vida é isso mesmo:  temos que fazer diferença na história de outros.  Você veio e precisou só de algumas horas para fazer isso.  Deus usou sua vida desde o ventre para chacoalhar o espírito de tantos.

E fica aqui a pergunta:  Meu tempo de vida tem feito diferença  e causado impacto eterno por onde passo? 


Deus usou você, Alice, um feto incompatível com a vida, para gerar em mim uma nova perspectiva de quem tenho que ser em nome de Deus!  Obrigada, Senhor, por uma lição tão grande vinda de alguém tão pequena e frágil! 

Incompatibilidade com a vida é  passar em branco  enquanto existe!  Essa não é a sua história, Alice!  Você foi a pessoa mais compatível com a vida que conheci!

quinta-feira, 8 de fevereiro de 2018



Cirurgia Hilária


Essa história aconteceu comigo há exatos trinta e um  anos, mas parece que foi ontem.

Não fiz nenhuma outra cirurgia depois disso, então, não sei se as coisas melhoraram desde então.

Bem, aos vinte e três anos, casada há quatro anos, decidimos que não queríamos ter mais filhos além dos nossos dois.  

Depois de muitas conversas com o médico tentando me convencer que era muito nova, que poderia perder um dos filhos, acabei por convencê-lo de fazer a esterectomia por laparoscopia( pelo umbigo).

E no dia seguinte, lá estava eu na clínica para o procedimento.  A coisa começou a complicar quando me deram aquela "batinha"  quase frente única curtíssima para vestir .  Não era momento para discutir a moda hospitalar, mas ao vesti-la pensei que estavam de brincadeira comigo!  Ela não protegia nada nem atrás e nem abaixo da cintura, isto é, apenas cobria o que você não queria esconder e o resto estava, como direi, devassado!

Como se não bastasse, trouxeram uma toca e dois sapatinhos de pano para vestir que completaram a figura grotesca que me tornei.  Se você está achando muito, ainda tem mais.  Isso aconteceu há três décadas e lembro como se fosse hoje!  Assim você tem ideia da situação!

A enfermeira entrou no quarto e apenas disse:  a sala de cirurgia fica no corredor à direita, segunda porta!

Confesso que fiquei esperando o momento que ela traria uma maca ou pelo menos uma cadeira de roda para me conduzir até lá, mas ela "jogou a bomba" e saiu.  Olhei pra o meu marido e disse: - Vou sair assim no corredor da clínica?    Ele me olhou como todo marido em situação perigosa e apenas concordou querendo não se envolver demais no caso!

Bem, vendo que não havia remédio para isso a  não ser enfrentar o corredor da humilhação, pedi que ele olhasse como estava o trânsito no corredor.  Sempre passava uma ou duas pessoas, mas estava calmo.

A batinha não colaborava para tornar o momento menos constrangedor, era de um tecido sem flexibilidade alguma.  Eu puxava para tampar o hemisfério sul, o hemisfério posterior ficava exposto.  Descobri que a melhor forma era andar curvada para frente e segurar o pouco de pano fechado atrás.  

Porta do quarto aberto, olhei o corredor e calculei quantos passos até a porta da sala de cirurgia... ( mais de cinquenta quilômetros,  aff) .  O jeito mais digno de se chegar até lá era encostar-me à parede e permanecer em contato com ela, curvada para frente, olhos no chão para não ser reconhecida, como sempre acontece em momentos constrangedores.  Aí lembrei da toquinha fashion e percebi que estava irreconhecível, o que gerou em mim um laivo de dignidade.

Passei para o corredor grudando o "latifúndio dorsal" na parede, pois estava encurvada para frente tentando proteger a dignidade do hemisfério sul... Hoje parece engraçado, mas no momento, foi a coisa mais constrangedora que havia vivido.

E como o pano não fechava atrás totalmente, não era fácil deslizar pela parede com a velocidade e desenvoltura que eu desejava.   Obviamente, duas pessoas vinham ao longe pelo corredor e eu estaquei, de olhos no chão e elas vinham conversando distraídas, e de repente, me viram!  Como eu sei?  Elas ficaram em silêncio!  Aquela interrupção que pesa no ar e fica claro que elas estão segurando o riso como uma bola debaixo d'água.  Tenho certeza que falam de mim até hoje!  Aquela criatura grotesca encostada, semi nua no corredor da clínica.

Desculpe-me o parênteses, mas QUE TIPO DE CLÍNICA DEIXA O PACIENTE DE BUMBUM E ETC DE FORA NO MEIO DO CORREDOR ONDE TODOS PASSAM! AHHHHHHHHHHHH!

Pronto!  Esse desabafo ficou represado por décadas!  Sinto-me muito melhor!

Finalmente avisto as maçanetas da porta do centro cirúrgico, atravesso em tempo recorde e nem lembrei de me inclinar para frente.  Quando fechei a porta atrás de mim, tive apenas alguns segundos de alívio!

Virei para ver o centro cirúrgico e havia dois homens ( os médicos)  de cueca conversando amenidades.  Voltei à minha posição arcada para frente e nem podia me virar para correr!  Os dois olharam para mim sem espanto e disseram:  - Pode deitar-se aí que já vamos começar!

Sabe quando passam centenas de pensamentos em sua cabeça em alguns segundos?  Pois é!  

Sem brincadeira, pensei algumas coisas como:

-  Será que estou no lugar certo?
-  E se esses caras forem estupradores?
-  Vou sair de costas para não dar muita bandeira?
- Por que meu marido não fez vasectomia, miserável?!
- Eu quero a minha mãe!
- Se vou deitar ali, como será o processo com a batinha? Ao deitar, a bata vai parar na cintura... 

Lembro-me que suei frio.  Não havia dormido à noite porque nunca antes e nem depois disso havia feito uma cirurgia.  Agora, furar meu umbigo e cortar minhas trompas parecia chupar pirulito!  

Bem, deitei lá, gente!  Os médicos acabaram de se vestir sem pressa.  

Resignei-me a ficar ali, "relampeando" como dizia minha avó quando ficávamos sem calcinha na infância!  Sim, vó, relampeei legal!  

Os médicos se aproximaram, um de cada lado, e finalmente cobriram minhas vergonhas.  Não olharam e nem falaram nada.  Um deles aplicou alguma coisa na veia do meu braço que fez a sala toda dar duas capotadas e voltar ao normal.

Os dois recomeçaram a conversar e eu fiquei ali aguardando o próximo passo.

O meu médico finalmente olhou pra mim e levou um susto e disse: - Ué, você não dormiu?
Olhei para  ele calmamente, agora que todos os hemisférios estavam protegidos e disse: 
- Era para dormir?  Ele fez que sim com a cabeça perguntando se eu estava nervosa.  Respondi que não e o outro moço aplicou mais alguma coisa em mim e nada de sono! Estava mais acordada que nunca!

O cirurgião fez alguns testes para ver se eu estava anestesiada e disse que iria começar.
E me explicou que iria inserir um tubo no meu umbigo, mostrou os aparelhos que iria usar para a cirurgia.  Lembro-me de uma tesoura minúscula e outras coisinhas que achei curiosas.

Ele avisou que encheria meu abdomen de ar e o fez e rimos todos quando eu disse: - AH! agora já sei como se sente uma bola de basquete!

O procedimento corria normalmente e ele explicava cada passo, já que eu estava acordada.

Aí aconteceu algo ainda mais constrangedor:  dei um tapão na cara do cirurgião!  Sério mesmo! Daqueles muito bem dados!

Ele olhou para mim assustado e eu estava ainda mais assustada que ele.  Graças a Deus, ele era bem humorado e riu perguntando:  O que é isso? Está doendo alguma coisa?

Eu respondi que não, mas que meu nariz estava coçando muito.  E minha mão continuava no ar como que querendo flutuar e ele pegou meu braço e o amarrou, dizendo: - Esse aqui é o MEU nariz!

Voltou-se para mim rindo muito e disse:  Não está coçando lá dentro do nariz, né?  Vou coçar para você, mas só se for por fora!  Rimos alto os três e eu já me sentia em casa!

Disse que era na ponta do nariz.  Ele coçou para mim!  E voltamos ao que interessava.

Quando tudo terminou ele me disse que eu iria ajudar no processo de retirar o ar da minha barriga.  Tirou todos os aparelhos de dentro do tubinho que estava no meu umbigo e disse: - agora faça força!  Fiz.  E o ar começou a zunir para fora de mim e foi muito engraçado!  Ele disse que seria muito bom isso porque não teria a cólica pós cirúrgica por causa desse ar preso no meu corpo.

Terminado o procedimento, me puseram numa maca, cobriram todos os hemisférios e fui para o meu quarto sã e salva!

E aí está a minha saga!  Guardei essa história tempo demais!  Foi divertido recordar isso!  Obrigada leitor(a) por me proporcionar essa viagem!


terça-feira, 30 de janeiro de 2018




Deus Pai, Deus Filho e Deus Espírito no Getsêmani ! Que conversa difícil!


E, indo um pouco mais adiante, Jesus se prostrou no chão e começou a orar para que, se fosse possível, aquela hora se afastasse dele. E disse: Pai, todas as coisas são possíveis para ti; afasta de mim este cálice. Contudo, não o que eu quero, mas o que tu queres.
Marcos 14.35 e 36

Não há nada mais frustrante do que orar por algo e receber um não como resposta de Deus!
E agora há pouco, estava já deitada para dormir e orei por uma família querida que teve uma perda muito dolorida esses dias.  Estive com eles em oração e na expectativa de um milagre.  A resposta foi não.  Ainda estou digerindo este sonoro NÃO  de Deus.  Obviamente, foi muito mais pesado e ainda está sendo para eles, mas percebia  até há pouco em meu coração, um ácido corroendo minha fé.

Então, esse mesmo Deus, invade minha mente e me faz lembrar de Jesus.  Ninguém orou tanto como Ele e, na minha opinião, ninguém precisava menos disso que Ele.  Mas Jesus passava noites inteiras em conversa com o Pai.  

As estatísticas de respostas SIM para Jesus foram também incríveis no que dizia respeito aos outros.  Cem porcento das vezes as pessoas saíam da presença de Jesus colhendo o fruto do consentimento do Pai.  Sim para a visão ao cego de nascença, sim para as pernas do coxo, vida sim para a filha de Jairo e para o filho da viúva.  Pele nova para leprosos, mente restaurada aos lunáticos e os sins davam luz e novidade de vida a centenas e milhares.

Orações que não conheciam silêncio, Não ou talvez, sempre o SIM.  

Mas era chegada a hora do Filho do Homem!  Jesus finalmente precisa terminar o que foi começado antes da fundação do mundo entre Eles: a redenção da humanidade.

Faltava menos que uma semana no calendário humano, mas uma eternidade já havia se passado.

Deus Pai, Deus Filho e Deus Espírito no Getsêmani ! Que conversa difícil!

Jesus chama três de seus mais íntimos amigos e discípulos para orar com Ele.  Por que?  Havia angústia em seu coração, um mal estar de quem já sente o calafrio da morte.  Não da morte que está chegando, mas da morte a  quem Ele iria, deliberadamente, se entregar.

Jesus deixa os amigos sonolentos e dá alguns passos para estar a sós com o Pai.  O Pai que sempre esteve lá por Ele, a quem Ele obedeceu sempre sem discutir.  Um pai que morria de amores por Ele e por quem o Filho faria qualquer coisa.

Mas a angústia era de morte, a dor era insuportável, o peso era do pecado do mundo todo de todos os tempos e Jesus se inclina exaurido para orar.  O pedido é simples e claro: - Pai,se possível, passa de mim este cálice! Mas não faça o que eu quero e sim a Tua vontade!

Há silêncio entre Eles!  Um silêncio que carrega uma resposta óbvia nunca dada antes entre  os dois: - NÃO!

Jesus ainda volta a pedir mais duas vezes e como antes da fundação do mundo, os planos permanecem os mesmos.

E, ao contrário de mim, Jesus não questiona, não se rebela, não pede satisfações.  Ele retoma suas forças, levanta-se e declara aos sonolentos discípulos : - É chegada a hora do Filho do Homem.  Vamos!

E vai, obediente para a morte de cruz!  Debaixo do olhar do Pai silencioso.

Na cruz outra oração; uma exclamação de dor de quem sofre por tantas coisas tão intensas, mas apenas uma é digna de nota: - Deus meu, Deus meu por que me desamparaste?  Agora é mais que um NÃO, é mais que silêncio, Deus se retira!  O cheiro do pecado o faz abandonar o homem/Deus na cruz!  

E então, entendi os Nãos!  Nãos para Deus não podem ser Sim!  Porque Ele tem Seus planos, porque Ele não muda, porque Ele está no futuro, porque Ele não negocia a minha ou a salvação de ninguém.  Ele disse não para Seu Filho, para que todos nós pudéssemos receber nEle o poder de sermos filhos também.  E um Pai não pode titubear e dizer sim só porque o filho pede um sim.  Deus é tão santo e puro em Suas intenções que Ele vai e leva Jesus ao Calvário porque era a hora do Sim para a vida eterna de muitos.  

E quando pensei no Não do Getsêmani eu entendi, SENHOR!  E agradeci por todos os seus nãos para mim!  Admito que não gostei de nenhum deles, mas essa visita ao Getsêmani essa noite me fez amá-lO mais pelos Seus Nãos.  Obrigada por não se deixar levar por minhas chantagens emocionais, ou minhas ameaças e rebeldia!  Obrigada, Jesus, por engolir aquele amargo Não e me ensinar que mesmo no Não podemos deixar o jardim da angústia consolados e empoderados para obedecer e aceitar a vontade do Pai. Uma vontade que visa estampar a glória de Deus em minha história e por isso haverá sins e nãos e nenhum deles virá por engano! Obrigada por fazer-me entender isso, SENHOR!



segunda-feira, 22 de janeiro de 2018


“SEPSES”


..."não chegastes a lamentar..." (1 Coríntios 5.2)

Essa expressão do apóstolo Paulo soa ao mesmo tempo como espanto e lamento diante da atitude da igreja em relação ao pecado no meio da comunidade.   A igreja havia perdido a capacidade de lamentar por aquilo que feria a santidade de Deus.

Creio que vivemos esse momento em nossas comunidades cristãs, independente da denominação, onde se faz necessário reafirmar posições , mas ela está entorpecida e, porque não dizer distraída para perceber que é preciso se manifestar, dizer não, disciplinar, admoestar em amor porque somos os despenseiros dos mistérios, da verdade de Deus.

Não é preciso ir muito longe para constatar que não há mais lamento pelo pecado, ao contrário, o aplaudimos, “curtimos” e deixamos para lá como se fosse algo de cunho pessoal, como se um órgão infeccionado não arriscasse a saúde do corpo. 

E assim, como corpo de Cristo, corremos o risco de “sepses”, isto é, uma infecção grave não tratada que se espalha pela circulação sanguínea colocando a vida em risco.

Assim como no corpo humano, a sepses acontece devido ao sistema imune enfraquecido, algo em nós está gradativa e gravemente enfraquecendo.  A igreja perdeu a capacidade de lamentar pelo pecado e de agir como quem está sob uma grave ameaça. 

Desde os líderes até os membros das comunidades cristãs parecem não saber como agir diante dessa nova moralidade onde tudo é permitido em nome do amor e do direito de se ser feliz.  Como se obedecer aos princípios de Deus fosse algo ultrapassado e sinônimo de intolerância.

E temos colhido frutos dessa condescendência que teme mais ao homem do que a Deus. Os cristãos têm tanto ou mais problemas do que qualquer outra pessoa avessa à fé. Nossos casamentos e lares estão ruindo, somos desonestos, maus pagadores, lascivos, nossos filhos engrossam as filas dos pacientes com problemas psiquiátricos e tantas outras coisas sobre as quais deveríamos lamentar. 

O diagnóstico é grave e exige medidas urgentes!  Precisamos voltar ao  primeiro amor e lembrar de onde caímos, nos arrependermos e voltarmos à prática das primeiras obras.(Apocalipse 2.4 e 5)

É preciso que entendamos a necessidade de arrependimento e rendição ao SENHOR da igreja para que Ele nos trate e devolva ao Seu corpo saúde.  E que possamos voltar a ser luz e sal ainda que isso nos custe o pescoço! Que a graça tão pregada seja um meio pelo qual cresçamos em Deus e não uma desculpa para pecarmos e aplaudirmos o erro alheio!