quinta-feira, 30 de novembro de 2017



 ..."Pois agora vocês de nada me valeram; contemplam minha temível situação, e se enchem de medo."  
Jó 6. 21

Nunca pensei que a Bíblia exporia de forma tão clara a situação que vivo muitas vezes quando preciso orar ou aconselhar alguém.

Eu amo orar por pessoas!  Mas algumas pessoas em especial são como um gatilho estranho em minha alma.

Quando tenho que orar por elas, a luta é muito diferente do que qualquer outro tipo de intercessão.  E a sequência que se dá em meu coração é descrita perfeitamente nesse versículo onde Jó lamenta que seus amigos não sejam de grande ajuda em meio ao seu sofrimento.

No meu caso, quando alguém querido demais para mim está enfrentando algum problema sério ou crônico, fico como os amigos de Jó:  não valho para nada ...  Literalmente fico incapacitada de orar, meu peito fica numa ansiedade profunda, meus pensamentos não desgrudam do problema e acabo, como diz Samuel, meu marido, afundando junto, ao invés de salvar o outro.

E essa manhã, estava exatamente pensando nisso quando esse texto de Jó saltou aos meus olhos.

Ao mesmo tempo que ele me descreve com perfeição, também aponta, por contraste a saída desse beco obscuro.  Deus, através de Jó, mostra-me a saída falando de algo que já conheço, mas nunca pratico, isto é, redirecionar os olhos do coração... o verso diz : "contemplam minha temível situação",  isto é, param para analisar profundamente e estudar o problema nos seus detalhes ... Exatamente o que faço o dia todo paralelamente às minhas atividades, fico pensando numa saída, em como isso poderia ser feito diferente e esse "contemplar" a temível situação faz sua tarefa de casa : me enche de medo.

E o medo que se instala em mim é tão avassalador que sai arruinando meu dia, minhas capacidades, meu humor, minha fé e me faz desconfiar do meu Deus.

Jó não poderia estar em pior situação quando disse essa frase:  estava falido, todos os dez filhos haviam morrido tragicamente e estava coberto de úlceras, mas seu lamento é que seus amigos estavam incapacitados de lhe ajudar porque seus olhos do coração só viam desgraça por todos os lados e o coração deles derreteu de medo.

Ah! Como me identifico com isso!  Coração derretido de medo é minha especialidade!  E minhas orações e conselhos, nessa hora não passam de band-aid em câncer...

Fui atrás de resposta na Palavra.  Li tantos versículos maravilhosos, mas um realmente foi o colírio restaurador que me fez ver outra perspectiva das situações desesperadoras.  Salmo 56.3 diz:

                                                "Mas eu, quando estiver com medo,
                                                   confiarei em TI."

Isso me impressionou, porque não há aqui aquele tipo de conselho triunfalista que diz: não tenha medo, tudo vai dar certo.  Ou ainda, que exige de você fazer de conta que não está com medo.  

O salmista diz,  eu sou medroso com frequência, mas quando eu estiver com medo vou levar meus olhos do coração para onde há terra firme!  Vou confiar em Deus. 

E ele diz no tempo futuro, o que me leva a pensar que tenho que fazer provisões na minha mente e coração para que quando o medo vier, eu não ser pega de surpresa pelo óbvio e já entrar no "mode" de olhar para DEUS e confiar. 

Essa era a recomendação de Jesus sempre.  No meio da tempestade no barco: não sejam tímidos;  diante da morte da filha: não temas, creia; diante da ansiedade, ore, clame e agradeça. 

E nessa manhã, eu quero recomeçar.  Quero criar um banco de confiança!  Quero checar quão confiável meu Deus é para que quando meu marido, meus filhos e outros queridos precisarem de mim, eu esteja a par da situação, mas com os olhos do coração firmes em QUEM  é a única pessoa confiável em todos os momentos  e isso fará de mim alguém apta a estar na brecha por outros.
















quarta-feira, 22 de novembro de 2017


PARA ONDE VOU?



João 7.53  e  8.1

Já há algum tempo, antes de ler a Bíblia, peço a Deus que me surpreenda!  E Ele tem feito isso sempre.

Esses dois textos acima foram um desses momentos.  Há um bate boca nos versos anteriores ao 53 do capítulo 7 e quando enfim, as coisas se acalmam, “cada um foi para sua casa.”
Nada demais, se o capítulo 8 não começasse assim: “Jesus, porém,  foi para o monte das Oliveiras.”

Essa conjunção adversativa, porém, me abalou extremamente, pois simboliza “oposição e contraste” , isto é, Jesus tomou uma atitude oposta a deles em termos geográficos e em termos espirituais .

Uma atitude geograficamente oposta ( casa /  monte das Oliveiras )

Não preciso ir muito longe para perceber como ajo quando estou sob pressão ou diante de problemas insolúveis... Quero ir pra casa, correr para o meu ninho, voltar à normalidade.  E isso é totalmente aceitável e correto para qualquer pessoa.  Ninguém vai discordar de você, se quiser se encolher em casa diante de problemas lá fora.  Mas não é o que vemos aqui.

Aliás, as conjunções adversativas de Jesus, sempre nos exigem desaprender comportamentos que assumimos como normais e óbvios, como por exemplo:

         - “Não andeis ansiosos de coisa alguma,  antes, venha transformar sua ansiedade em oração, clamor e gratidão. Se você parasse de “minhocar” e viesse mostrar suas preocupações para mim, você conheceria a minha paz que guarda sua mente e seu coração. “[ paráfrase minha  de Filipenses 4.6 e 7]

         - Ó Jerusalém, Jerusalém, que assassina os profetas e apedreja os que são enviados a vocês!  Quantas vezes eu quis reunir os seus filhos, como a galinha acolhe seus pintinhos debaixo de suas asas, mas vocês não quiseram."[ Mateus 23.37]

           - Vocês examinam as Escrituras porque julgam ter nelas a vida eterna, e são elas que testificam de mim, mas  vocês não querem vir a mim para terem vida. [ João 5.29 e 40]

E há muitos outros textos que mostram nossa dificuldade de ir, nos levar para onde possamos realmente ter nossas almas refrigeradas e nossos problemas vistos com sabedoria e resolvidos segundo a vontade e poder de Deus.

Uma atitude espiritualmente oposta ("porém")

Jesus entendia e vivia isso de forma radical.  Ele sabia que quanto maior a pressão, mais ele tinha que se distanciar do cotidiano para poder achegar-se ao Pai e ter a perspectiva correta do problema!  E isso não apenas lhe trazia refrigério, mas o fazia descer, como no verso 2 para poder ensinar com autoridade que Deus “funciona”.

Eu não sei onde você está agora.  Não importa onde ,geograficamente falando, mas com certeza, importa onde você está espiritualmente! 

Que nossa primeira reação à vista de dificuldades seja agir de forma “adversativa” ao que parece normal! 


E possamos dizer:  A coisa está mesmo muito feia, mas eu, porém, vou para onde meu Pai está!  Pode até ser em casa, mas o colo do meu Deus é onde realmente preciso estar!

terça-feira, 21 de novembro de 2017


Crônica de quem não entende de futebol





Devo admitir que o assunto futebol passa de largo de meu domínio.  Aos treze anos me dizia torcedora do Palmeiras porque era apaixonada pelo goleiro Leão.  E continuei palmeirense "não praticante" apenas para ter o que responder quando me perguntassem qual era o meu time.  

Quanto às regras do jogo, nunca consegui entender direito aquele tal de impedimento ainda que meu marido e filho tenham tentado me explicar várias vezes.

Mas há algo no futebol que me intriga.  Especialmente nas Copas que vão perdendo cada vez mais o encanto.  O que mais se vê é o torcedor brasileiro desencantado com seu time.  O que há de errado?  Por que um time talhado para vencer se apresenta em campo com pose de quem sabe tudo, mas não define coisa alguma?

Foi pensando nessas coisas que deixei a linha do gramado e entrei num campo mais subliminar.  Já despreocupada dos onze jogadores em campo, mas ocupada do povo brasileiro, representado e interpretado no futebol com perfeição.  

Entre uma jogada e outra, no campo ou na vida, o que vale é ganhar tempo, uma vantagem ali, outra aqui. O todo não importa desde que o eu brilhe e ganhe aplausos.  Com jeitinho ganha-se uma falta, para que nada falte. 

No jogo catimbado quem ganha não é o que tem técnica, mas o que tem manha, ginga e malícia.  Se está difícil chegar à trave, trava-se a perna do outro com classe para que pareça legal aos olhos do árbitro.   Entra-se em campo como time, mas o que importa é o brilho individual.  Ao invés de uma constelação, temos estrelas solitárias que não dão, nem emprestam luz para que o espetáculo seja coletivo como também a vitória.

Até na hora de comemorar o gol, nem todos são bem-vindos ao abraço.  Uma seleção feita a dedo que reúne indivíduos brilhantes que , ao invés de disputarem a bola com o adversário, competem brilho e popularidade.

E assim o jogo segue.  Brasil! Terra de gigantes!  Orgulhosa e descansada de seu passado, deitada em verdes campos, contando o que se foi como crédito para o que virá, sem entender que reputação não é cumulativa, é sim, conquistada passo a passo.  Que quem se cansa e se põe na retranca, incentiva o contra-ataque.  Que o adversário está correndo livre, enquanto nos preocupamos com performances individuais.

O futebol e a vida privilegiam poucos.  Apenas os contemplados entram em campo, enquanto a grande maioria assiste da arquibancada, sofre, elege os melhores ; pondo na mão de poucos a responsabilidade de levar o Brasil para frente.

Olhos atentos e críticos;  corações e mãos calejados, doídos, mas prontos a vibrar a cada novo lance, mesmo que seja quase gol.  Gritos ritmados nas arquibancadas da vida, chova ou faça sol.  Gente que volta para o próximo jogo, que esquece do fiasco, os desmandos, o roubo, a catimba que os atinge sempre de cheio.

Gente crédula que vê o que o técnico parece ignorar.  Gente que xinga o juiz, solta foguete, vive e mata pelo jogo, mesmo que isso não mude absolutamente nada do seu dia-a-dia.

Futebol, arte que faz um país inteiro parar por alguns minutos, talvez por séculos, onde a disputa pela bola torna-se mais do que um esporte, é caso de vida e morte, é guerra de titãs, de estrelas, de terras, de direitos espoliados.  

Enquanto isso, o povão assiste emocionado, crente que sua seleção ama seu país tanto quanto ele.  Gente que grita, torce e vota...  grita, torce e volta... grita, torce e lhe dão a volta... PRA FRENTE BRASIL!




segunda-feira, 20 de novembro de 2017

Por um fio...

A amizade é um presente que poucos sabem desfrutar, pois, é tudo uma questão de definição.  Há, a meu ver, dois tipos de amizade: a mais comum que chamo de corda bamba, e uma mais rara: a teia.

A Amizade corda bamba, como o próprio nome diz, é aquela que não oferece segurança.  São amigos aos quais sempre se deve alguma coisa.  Seu próximo passo pode acabar com o equilíbrio da relação.
Um movimento em falso e você despenca do conceito, do respeito.

É um eterno recomeço, onde não há banco de memória.  O que você faz ou deixa de fazer hoje, pode anular tudo o que foi realizado ontem.  Não adiante equilibrar-se por quase toda a corda, se o último passo for errado, tudo se acaba.  Já tive e ainda tenho amigos assim, onde vivo no vermelho, pisando em ovos, em corda bamba.

Sinceramente, cheguei num tempo em que tenho tentado me livrar de amigos assim.  Não porque me sinta melhor que eles, mas porque não consigo ser melhor do que sou, por causa de minhas limitações equilibristas.  Sou incapaz de cumprir horários, de ligar, de mandar recados no Whatsapp, de acompanhar vídeos, fotos e E-mails.  Admito, sim, meu desequilíbrio.  Optei pela teia de aranha por conveniência e auto-preservação, confesso!  

Sim, já encontrei viúvas negras por aí, mas ainda assim, essa rede bem elaborada de fios me parece um ótimo exemplo de como um amigo de verdade deve ser.

Na teia há segurança, mesmo que alguns fios arrebentem, ela prevalece, pois os fios são (inter)dependentes. O importante não é um fio, um fato, um deslize mas o todo, o conjunto da trama, de eventos se acumulando, se superpondo e dando forma à amizade. Mesmo os fios quebrados podem ser substituídos por outros novinhos em folha e já não importa o que não se tem.

A corda bamba lembra sempre que o perigo é iminente. Na teia, a ameaça existe para quem não pertence a ela, seu poder e visgo são fatais para quem não a construiu.  Nela, sinto-me livre, segura, pois foi projetada para deixar passar os ventos.  Da chuva, apenas o mínimo fica, o suficiente para não destruir sua essência.  

Ser amigo é saber que, de vez em quando, a teia terá de ser refeita, talvez, totalmente reconstruída e que os fios são tão familiares porque saem de dentro de você.

A corda bamba pode ser feita de vários materiais.  A teia tem DNA.

Na simetria da teia reside o saber o que esperar.  A aranha não inventa, ela produz aquilo que nela foi programado pelo Criador com uma perfeição incansável. Caminha meticulosamente deixando para trás fios que lhe servirão de abrigo, onde lhe será servido o alimento e se reproduzirá.

Assim deve ser a amizade, um entrelaçado de fatos, segredos, temores, alegrias, cumplicidade  e lágrimas onde o acolhimento é uma via de duas mãos.  Na teia da amizade encontro nutrientes que me dão vida e geram vida.  Nela posso recriar, recomeçar, renovar, sem tirar o espaço criativo do outro. 

Não se espante com minhas elucubrações aracnídeas, apenas considere que a amizade verdadeira é preciosa demais para ser levada apenas por um fio...