segunda-feira, 20 de novembro de 2017

Por um fio...

A amizade é um presente que poucos sabem desfrutar, pois, é tudo uma questão de definição.  Há, a meu ver, dois tipos de amizade: a mais comum que chamo de corda bamba, e uma mais rara: a teia.

A Amizade corda bamba, como o próprio nome diz, é aquela que não oferece segurança.  São amigos aos quais sempre se deve alguma coisa.  Seu próximo passo pode acabar com o equilíbrio da relação.
Um movimento em falso e você despenca do conceito, do respeito.

É um eterno recomeço, onde não há banco de memória.  O que você faz ou deixa de fazer hoje, pode anular tudo o que foi realizado ontem.  Não adiante equilibrar-se por quase toda a corda, se o último passo for errado, tudo se acaba.  Já tive e ainda tenho amigos assim, onde vivo no vermelho, pisando em ovos, em corda bamba.

Sinceramente, cheguei num tempo em que tenho tentado me livrar de amigos assim.  Não porque me sinta melhor que eles, mas porque não consigo ser melhor do que sou, por causa de minhas limitações equilibristas.  Sou incapaz de cumprir horários, de ligar, de mandar recados no Whatsapp, de acompanhar vídeos, fotos e E-mails.  Admito, sim, meu desequilíbrio.  Optei pela teia de aranha por conveniência e auto-preservação, confesso!  

Sim, já encontrei viúvas negras por aí, mas ainda assim, essa rede bem elaborada de fios me parece um ótimo exemplo de como um amigo de verdade deve ser.

Na teia há segurança, mesmo que alguns fios arrebentem, ela prevalece, pois os fios são (inter)dependentes. O importante não é um fio, um fato, um deslize mas o todo, o conjunto da trama, de eventos se acumulando, se superpondo e dando forma à amizade. Mesmo os fios quebrados podem ser substituídos por outros novinhos em folha e já não importa o que não se tem.

A corda bamba lembra sempre que o perigo é iminente. Na teia, a ameaça existe para quem não pertence a ela, seu poder e visgo são fatais para quem não a construiu.  Nela, sinto-me livre, segura, pois foi projetada para deixar passar os ventos.  Da chuva, apenas o mínimo fica, o suficiente para não destruir sua essência.  

Ser amigo é saber que, de vez em quando, a teia terá de ser refeita, talvez, totalmente reconstruída e que os fios são tão familiares porque saem de dentro de você.

A corda bamba pode ser feita de vários materiais.  A teia tem DNA.

Na simetria da teia reside o saber o que esperar.  A aranha não inventa, ela produz aquilo que nela foi programado pelo Criador com uma perfeição incansável. Caminha meticulosamente deixando para trás fios que lhe servirão de abrigo, onde lhe será servido o alimento e se reproduzirá.

Assim deve ser a amizade, um entrelaçado de fatos, segredos, temores, alegrias, cumplicidade  e lágrimas onde o acolhimento é uma via de duas mãos.  Na teia da amizade encontro nutrientes que me dão vida e geram vida.  Nela posso recriar, recomeçar, renovar, sem tirar o espaço criativo do outro. 

Não se espante com minhas elucubrações aracnídeas, apenas considere que a amizade verdadeira é preciosa demais para ser levada apenas por um fio...


4 comentários:

  1. Esse é um dos seus textos que eu mais gosto. Que bom que vc postou aqui pois tinha perdido a cópia que eu guardava.
    E como sou grata a Deus pela teia que estamos construindo! Ela se fortalece a cada dia. ❤

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  2. Fico muito feliz em fazer parte dessa teia, vc é muito querida e amada, um presente de Deus pra minha vida♡♡♡♡♡

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  3. Nem sei o que dizer... tive o privilégio de conviver com você, aprender tão de pertinho e agora esse blog traz você pertinho de novo !!���� Estou muito feliz de poder ouvir/ ler de reflexões tão profundas e verdadeiras,fruto dessa sua caminhada com Deus que temos o privilégio de acompanhar e crescer com seus compartimentos. Obrigada por abrir o coração e a alma e produzir "teias cheias de amor"!! Bjs com saudades ❤

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